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Saiba como prevenir as principais doenças do rebanho leiteiro

Saiba como prevenir as principais doenças no rebanho leiteiro

Texto adaptado do “Guia de Prevenção de Doenças do Rebanho Leiteiro” elaborado pela Academia do Leite/Fundação Roge em colaboração com o professor e médico veterinário Michel Ruan dos Santos Nogueira.

O rebanho de vacas leiteiras está sujeito a várias moléstias que trazem grande prejuízo à produção das fazendas de leite. O foco na prevenção de doenças pode ser considerado o maior investimento relacionado às melhorias das condições de saúde dos rebanhos leiteiros. Em animais afetados, deve haver cuidado na escolha do tratamento. O mais recomendado é buscar sempre a orientação de um profissional veterinário.

“No contexto de saúde animal, a mudança de foco do tratamento clínico para a prevenção de doenças pode ser considerada o maior avanço relacionado às melhorias das condições de saúde dos rebanhos leiteiros”. - Centro de Inteligência do Leite da Embrapa.

Mastite

 

Inflamação da glândula mamária muito comum em rebanhos do mundo todo. É considerada uma doença de manejo. Prejudica a qualidade do leite e causa redução de 12 a 15% na produção. Também pode resultar em morte ou descarte prematuro dos animais. Pode ocorrer nas formas: clínica, subclínica, contagiosa e ambiental.

Medidas de prevenção: 

  • Garantir cama seca e limpa;
  • Cuidar incansavelmente dos procedimentos de ordenha (mecânica ou manual): pré-dipping, tetos secos e limpos, eliminação e observação dos primeiros jatos, higienização dos equipamentos, uso de luvas, separar animais afetados;
  • Oferecer boa ventilação para evitar o estresse;
  • Manter as moscas bem longe dos animais;
  • Preparar a equipe de funcionários para a guerra contra a mastite, oferecendo capacitações; 
  • Manter os animais em pé após a ordenha;
  • Evitar acúmulo de barro.

 

Febre Aftosa

 

Doença extremamente infecciosa e altamente contagiosa que ataca a todos os animais de casco fendido e em todas as idades. O vírus, é muito resistente, sendo a saliva de um animal positivo o meio infectante mais comum de pastagens, utensílios e animais sadios. O rebanho perde o apetite, perde peso, cresce menos, tem febre, abortos, infertilidade, fica mais sensível a outras doenças e corre risco de morte, além das lesões características na mucosa oral, tetos e espaço interdigital dos animais.

Medidas de prevenção:

  • Vacinação: é obrigatória! E deve ser regular, seguindo os calendários de cada região;
  • Comprar apenas animais vacinados e separar por um tempo os recém chegados para observação;
  • Seguir sempre corretamente as orientações do Médico Veterinário.

 

NÃO EXISTE TRATAMENTO PARA ESTA DOENÇA!

Raiva

 

Doença que ataca o sistema nervoso central dos animais podendo causar comportamento agressivo e agitado, salivação abundante e pode levar à morte. O principal agente transmissor é o morcego hematófago, porém a saliva de animais infectados merece grande atenção. 

Medidas de prevenção:

  • Vacinação: em todos os animais com idade superior a quatro meses, com reforço após 30 dias e em regiões em alerta a cada seis meses.

 

A raiva é uma zoonose, ou seja, é transmissível a seres humanos.

Tristeza Parasitária Bovina

 

É o complexo de duas enfermidades causadas por agentes diferentes, porém com sinais clínicos e epidemiologia semelhantes: Babesiose e Anaplasmose, que acarretam em intensa anemia nos animais afetados. Ficam apáticos, anoréxicos, emagrecem, ficam com os pelos arrepiados, batedeira, ausência de ruminação, diminuição da produção de leite, icterícia (mucosas amareladas) e febre. Os agentes são transmitidos principalmente pelo carrapato do bovino ou ainda por insetos hematófagos, como mutucas, moscas e mosquitos, ou por instrumentos (como, por exemplo, agulha) durante a castração ou vacinação.

Medidas de prevenção:

  • Uso de medicamentos para a prevenção contra os agentes de transmissão, como o carrapato; 
  • Reduzir a infestação de carrapatos das pastagens e dos animais;
  • Envio de carrapatos para laboratórios que realizem teste de sensibilidade a carrapaticidas (carrapaticidograma), como exemplo: EMBRAPA Gado de Leite e Instituto Biológico.

 

Retenção de placenta

 

É a permanência dos restos placentários no útero da vaca por mais de 12 horas (alguns profissionais indicam 24 horas) depois do parto, provocando uma infecção grave no útero. Gera consequências danosas na produção de leite e na reprodução da vaca. Pode ser causada por hipocalcemia (febre do leite), cetose, brucelose, distúrbios metabólicos, partos prematuros, parto difícil ou parto gemelar

Medidas de prevenção:

  • O fornecimento de mistura mineral adequada antes do parto; 
  • Piquete maternidade limpo, com sombra e água à vontade; 
  • Metragem de cocho compatível com número de vacas; 
  • Parto bem realizado, sem gerar estresse ao animal, sem a afobação de puxar a bezerra ou bezerro, sem precipitar o auxílio;
  • Intervenção no parto apenas se for realmente necessária; 
  • Aplicação de medicamentos no pós-parto imediato, que exerçam a contração uterina (ocitocina e/ou prostaglandina); 
  • Monitorar escore de condição corporal dos animais.

 

Brucelose

 

É uma infecção no útero, placenta ou úbere das vacas, causando problemas reprodutivos. As principais vias de contaminação são a água, os alimentos, objetos e pastos contaminados com restos placentários. Causa abortos frequentes, nascimento de bezerros fracos, retenção de placenta e inflamações. 

Medidas de prevenção:

  • Vacinação: é obrigatória! Apenas de fêmeas a partir dos três meses de idade;
  • Segregação e sacrifício dos animais infectados; 
  • Limpeza/desinfecção das instalações e utensílios; 
  • Destruição de restos placentários e fetos abortados;
  • Utilização de pasto maternidade;
  • Testes e quarentena na introdução de animais no rebanho.

 

A brucelose é uma zoonose, ou seja, é transmissível a seres humanos.

NÃO EXISTE CURA PARA ESTA DOENÇA!

Tuberculose

 

8% a 10% dos casos de Tuberculose em pessoas são ocasionados pelo consumo de leite contaminado. A principal via de transmissão para os animais é por aerossóis (pelo ar). É uma enfermidade que causa lesões em diversos órgãos e tecidos. Os sintomas aparecem só no estágio final da doença: grande perda de peso, dificuldade respiratória, tosse seca e fraqueza geral. Não existe vacina nem tratamento para a tuberculose bovina, portanto a prevenção da entrada da doença é a chave do controle!

Medidas de prevenção:

  • Adquirir apenas animais negativos ao teste de tuberculose;
  • Seguir as orientações de marcação e descarte constantes na legislação vigente.

 

A tuberculose é uma zoonose, ou seja, é transmissível a seres humanos.

Leptospirose

 

Doença infecciosa que causa perda de produtividade no rebanho leiteiro, além de febre, anorexia, abortos, distúrbios reprodutivos, anemia, congestão pulmonar e até a morte dos animais. A via de transmissão mais importante é pela urina de animais afetados, mas também a mordedura, secreções, água e solo contaminados transmitem a doença. Os ratos são grandes vetores de transmissão, mas na fazenda os animais infectados são o perigo maior.

Medidas de prevenção

  • Vacinar os animais;
  • Realizar constante controle de pragas;
  • Cuidar preventivamente da compra e trânsito dos animais;
  • Estar atento na reposição de novilhas;
  • Evitar o compartilhamento de água e pasto com outras espécies;
  • Limitar o acesso a rios, riachos e mananciais que são de acesso de outros animais.

 

A leptospirose é uma zoonose, ou seja, é transmissível a seres humanos.

Hipocalcemia (Síndrome da Vaca Caída)

 

Doença que impede a vaca de se levantar após o nascimento do bezerro, o que ocorre especialmente quando o animal esgota seu estoque de cálcio disponível. A fêmea fica fisicamente esgotada e com dificuldade de se levantar. Ocorre queda na produção de leite e pode haver retenção de placenta, infecções uterinas, mastite e redução na vida reprodutiva do animal.

Medidas de prevenção:

  • Sob orientação de um profissional, reduzir o fornecimento de cálcio antes do parto. Trabalhar com dietas aniônicas no préparto também. Ambas as medidas podem ajudar na manutenção do nível de cálcio do animal;
  • Utilização de medicamentos específicos no pós-parto imediato.

 

Acidose Ruminal

 

Doença ocasionada pelo alto consumo de amidos e carboidratos, isto é, mudanças bruscas no regime alimentar sem adaptação da microflora ruminal. É mais comum em animais confinados e os sintomas geralmente são: diarreia, respiração acelerada, olhar fixo e andar cambaleante.

Medidas de prevenção:

  • Controle da alimentação para evitar a ingestão inadequada de alimentos, como grandes quantidades de grãos sem a adaptação necessária. Em casos de dietas que exigem o uso de grãos é preciso acrescentar gradualmente para que haja uma boa adaptação; 
  • Uso de fibra de qualidade na composição da dieta total dos animais.

 

Doenças de casco

 

Conjunto de enfermidades que afetam a extremidade dos membros do bovino incluindo pele, tecidos subcutâneo e córneo, ossos, articulações e ligamentos. Muito comuns no rebanho leiteiro, são causadas principalmente pelo manejo intensivo dos animais, como: dietas ricas em carboidratos e proteinas, falha no casqueamento e pisos úmidos e ásperos.

Medidas de prevenção

  • Realizar o casqueamento preventivo anual dos cascos, no momento da secagem;
  • Evitar a presença de umidade, fezes e urina nas instalações;
  • Limitar o acesso a várzeas e baixadas úmidas;
  • Correção de pisos ásperos ou com irregularidades;
  • Uso de pé de lúvio.

 

Clostridioses

 

Intoxicações causadas por bactérias presentes normalmente no solo e no trato digestivo dos animais, mesmo sadios. Tais microrganismos produzem toxinas que podem causar botulismo, tétano, hepatite necrótica, carbúnculo hemático e carbúnculo sintomático. Essas substâncias tóxicas poderosas podem causar lesões, paralisia dos músculos da locomoção, mastigação e deglutição, e até a morte por paralisia respiratória. 

Medidas de prevenção

  • Vacinação de acordo com as recomendações técnicas ideais; 
  • Evitar materiais cortantes nas instalações;
  • Providenciar destino correto das carcaças;
  • Evitar a utilização de uma mesma agulha ao vacinar ou medicar animais.

 

As clostridioses são intoxicações causadas por bactérias do gênero Clostridium presentes normalmente no solo e no tubo digestivo dos animais. A principal medida preventiva é a vacinação específica para clostridioses.

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Fundação Roge

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