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Tecnologias no sistema de produção leiteira – Ordenha robotizada

Tecnologias no sistema de produção leiteira – Ordenha robotizadaFoto: DeLaval

* Texto do Carlos Giovani Pancoti nutricionista de bovinos de leite da Agroceres Multimix.

Os sistemas automatizados de ordenha (do inglês: Automatic milking systems – AMS) estão ganhando popularidade em todo o mundo. A adoção de um sistema AMS representa uma mudança de estilo de trabalho, principalmente por substituir parte da mão-de-obra. O custo na folha de pagamento, elevação de salários e encargos, são pontos importantes para avaliação de sua adoção ou não, mas o descarte de vacas que não se adaptam também deve ser levado em consideração. Mathijs (2004) e Bijl et al. (2007), apresentaram que a quantidade de funcionários foi 20 e 29% menor em sistemas AMS, respectivamente. Além do menor número de funcionários, este tempo poderia ser utilizado em outras atividades, como: monitoramento da saúde do rebanho, análise de registros e anotações, atividades ligadas à reprodução, entre outros.

Muito se comenta em elevação da produção com a adoção do sistema AMS. O principal fator para alteração da produção de leite é uma mudança na frequência de ordenha. Koning (2010) verificou que os rebanhos com AMS tiveram aumentos de produção de 5 a 10% em relação a duas ordenhas, mas a produção diminuiu de 5 a 10% quando comparado aos rebanhos com três ordenhas. Em estudos econômicos, a principal diferença em lucratividade é a utilização mais intensiva do sistema de ordenha. Ou seja, alta produção diária de leite com elevado número de vacas por robô.

Hopster et al. (2002) avaliaram dois sistemas de ordenha (robótica e convencional). Não houve diferença na produção, qualidade do leite, leite residual e tempo de ordenha entre os sistemas. Um detalhe muito interessante no trabalho é que na ordenha robotizada os animais apresentaram menor concentração plasmática do hormônio adrenalina e menor número de batimentos cardíacos em relação à ordenha convencional, que são parâmetros relacionados ao estresse. Porém, ambos os sistemas foram considerados adequados.

Quando lidamos com ordenha robotizada, algumas perguntas nos vêm à cabeça, como o agrupamento de novilhas e multíparas. Bach et al. (2006) mostraram que as novilhas são ordenhadas com maior frequência (3,26 vs 2,68), realizam uma refeição a mais, e também, apresentaram tendência à maior eficiência alimentar (1,42 vs 1,37kg Leite/kg MS) quando criadas separadas das vacas. Não houve diferença na produção média dos animais criados em lotes juntos ou separados. Aparentemente, as novilhas não foram intimidadas pelas vacas nesse sistema, porém mais pesquisas são necessárias para melhor entendimento desse assunto.

DeVries et al. (2011) descobriram que o período de pé, pós-ordenha, foi maior quando as vacas eram ordenhadas perto do momento de fornecimento dos tratos. No AMS, as ordenhas ocorrem ao longo do dia, levando a padrões de ordenha imprevisíveis. Portanto, o fornecimento de dieta fresca ao longo do dia, pode estimular os animais a permanecerem em pé após a ordenha. No presente estudo, o grupo alimentado 2x/dia, permaneceu 9,3 minutos a mais em pé após ordenha do que o grupo alimentado 1x/dia. Isso pode não apenas ser benéfico para a saúde do úbere, mas também melhorar o tráfego de vacas, resultando em maior frequência de ordenha, intervalos de ordenha mais consistentes e menor número de vacas “buscadas”, ou seja, em que há a necessidade de um funcionário levar esse animal à ordenha.

Rodenburg e House (2007) observaram grande variação entre os rebanhos em relação às vacas “buscadas”, com uma média de 2,5% para os 5 melhores contra 41,6% de vacas para os 5 piores rebanhos. Em estudo mais recente (King et al., 2016), essa incidência de busca foi de 6,7%. Outro ponto, o tempo em que o animal fica de pé antes da ordenha, também deve ser levado em consideração. Animais que ficam demasiado tempo em espera para ser ordenhados, procuram menos o cocho de alimentação.

Além da infecção do úbere, a saúde dos cascos é de grande preocupação em qualquer sistema de produção. Em sistemas convencionais, vacas com distúrbios locomotores ficam menos tempo em estação e realizam menos disputas, consequentemente não se alimentam suficientemente para atender sua demanda e permanecem por mais tempo deitadas. Em sistemas AMS, em que é imperativo que as vacas tenham a habilidade de interação com o robô, a claudicação é uma grande preocupação. O fato ficou claro em alguns experimentos (Klaas et al., 2003; Borderas et al., 2008), ambos observaram que a frequência de ordenhas por dia foi significativamente influenciada pela claudicação, na qual vacas saudáveis acessavam com maior frequência a ordenha. O correto dimensionamento e limpeza frequente da pista, além de camas confortáveis, colaboram na diminuição de problemas locomotores. Outro ponto de destaque, seria o layout do pedilúvio, que nesse sistema é um desafio, visto que pedilúvios alojados na saída do AMS, reduzem a frequência com que as vacas visitam a ordenha.

Em termos de alimentação, uma pequena fração da dieta (na forma de concentrado) é fornecida no sistema AMS, inclusive com o intuito de atrair o animal. O desafio e/ou oportunidade desse sistema reside na possibilidade de ordenhas mais frequentes e de alimentar as vacas de forma mais precisa, ou mais próxima das suas necessidades nutricionais numa base individual, resultando, potencialmente, em menor custo alimentar. No entanto, alimentar vacas no AMS apresenta alguns desafios. De um lado, a ingestão de ingredientes ricos em amido e altamente palatáveis em grandes quantidades pode afetar a fermentação ruminal e/ou alterar o comportamento alimentar após a ordenha, enquanto a alimentação de concentrados ricos em fibra pode comprometer a ingestão total de energia e limitar, tanto o desempenho do equipamento quanto dos animais.

Outro ponto que merece destaque é o resfriamento das vacas. Em sistemas convencionais, resfriamos um grupo de vacas na sala de espera da ordenha e na pista de alimentação. Com isso, obtemos uma eficiência maior dos recursos pois concentramos os animais. Em um projeto robótico orientado para ordenha essas opções não estão disponíveis, porque apenas algumas vacas estão esperando na entrada do robô a qualquer momento, e elas se movem em direção à pista de alimentação uma a uma, 24 horas por dia. A localização de um sistema de resfriamento na entrada do robô (igualando-se à sala de espera) não é efetiva, pois fornece curto período de resfriamento. A localização na pista de trato é um pouco mais eficaz, fornecendo 244 minutos/dia de resfriamento. A utilização de um sensor de presença é essencial no caso de sistema AMS.

Ordenha robotizadaFonte: Agroceres Multimix

Minimizar o número de vacas a serem buscadas, regularidade na ordenha, manutenção de elevado nível de conforto, saúde e produtividade das vacas é uma meta importante para a ordenha robotizada bem-sucedida. A realização de simulações e observação de cenários, avaliando a gestão deste sistema e economia de mão de obra, são importantes na decisão dessa mudança conceitual. No robô, há desafios de estrutura social de rebanho, de alimentação e layout das instalações. É certo que há muita tecnologia envolvida, tanto para aqueles que optarem pelo sistema convencional quanto ao AMS, que buscam facilidade de produção aos envolvidos.

Assim como a ordenha robotizada a tecnologia já faz parte da vida do produtor. Conheça 5 tecnologias que podem trazer grandes benefícios.

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