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Quando intervir em um parto distócico?




3-Apr-21-2022-07-15-48-15-PM

Texto baseado no curso “Avaliação de bezerras recém-nascidas”, realizado pela Médica Veterinária Inaiá Eloy para o portal de cursos online Clube Leiteiro em 2022.

 

“Um parto distócico é aquele que tem uma variação do seu curso fisiológico, do seu curso normal. Desde um leve atraso até a incapacidade completa dessa vaca em parir. E temos, com um parto distócico, prejuízos importantes para a vaca e para a bezerra, variando de prejuízos de adaptação até prejuízos durante a vida produtiva dessa bezerra, o que acaba acarretando grandes prejuízos econômicos” (Inaiá Eloy, Médica Veterinária).

Evitar esses prejuízos depende do reconhecimento de quando uma distocia pode acontecer ou quando está acontecendo, para que as intervenções no parto das vacas sejam feitas de forma correta e em tempo hábil, buscando minimizar os prejuízos.

Principais causas de distocias

  1. Causas de origem materna:
    Estão relacionadas ao estreitamento do canal de parto e à falta de força de expulsão. Normalmente acontecem anomalias e relaxamento incompleto em cérvix, vagina e vulva, a inércia uterina e a torção uterina, caracterizando as causas de distocia de origem materna.

  2. Causas de origem fetal:
    Estão relacionadas, basicamente, com o tamanho do feto e a estática fetal, que é a posição que o feto adota na hora do parto.

  • Tamanho fetal relativo: é a relação entre uma bezerra de tamanho normal, que porém, é grande para uma vaca pequena. Isso normalmente acontece com as novilhas menores.
  • Tamanho fetal absoluto: é quando a bezerra tem um tamanho excessivamente grande para um canal de parto de tamanho normal.
  • Estática fetal que gera distocia: posição do feto na hora do parto que não permite uma expulsão de forma fisiológica. 

Estática fetal no parto eutócico

 

O parto eutócico é o parto fisiológico normal que se espera em todos os partos. Nele, conforme descrito pela imagem, a bezerra tem uma apresentação longitudinal anterior, uma posição dorsal - o dorso da bezerras é que entra em contato com a superfície dorsal do canal de parto da mãe e uma atitude estendida - membros estendidos no canal de parto.

Posição do bezerro na hora do parto (Imagem: Inaiá Eloy) 

Quando o feto apresenta uma estática diferente desta, tem-se então um parto distócico, dificultando a saída ou impedindo que ela aconteça.

Quando devemos intervir no parto?

 

Para saber quando e como intervir, primeiro devemos conhecer as fases do parto e o que é fisiológico em cada uma delas.

1ª fase: Dilatação

Nesta fase, deve-se intervir quando se passar 2h após o aparecimento da primeira membrana fetal sem nenhuma evolução do trabalho de parto. Ou quando o parto não progredir após o rompimento da segunda membrana fetal.

Também nesta fase, a vaca estar por muito tempo deitada pode indicar que ela precisa de um auxílio nesta fase do trabalho de parto.

Caso a vaca expulse, nesta fase, sangue ou restos placentários sem expulsar o feto, também é um sinal da necessidade de intervenção. 

2ª fase: Expulsão

Deve-se intervir nesta fase se:

  • Não houver progressão do parto após o surgimento dos membros da bezerra;
  • Quando a vaca deixar de fazer força de expulsão por período prolongado após a última contração;
  • Quando a vaca e/ou a bezerra apresentam sinais de fadiga;
  • Quando for identificada alteração de posicionamento de estática fetal.

Possíveis consequências de um parto distócico

  • Fraturas de membros, costelas e coluna vertebral
  • Lesões de pele, nervos e músculos
  • Hipóxia e acidose por causa da compressão do cordão umbilical e separação da placenta
  • Asfixia neonatal
  • Letargia que causa atraso na colostragem, prejudicando sua imunidade
  • Quadro de hipotermia grave

Partos difíceis ou distócicos geram consequências para a vida toda das bezerras, e que podem ser evitados ou minimizados se soubermos identificar uma distocia, fizermos intervenções corretas quando necessário, utilizarmos os equipamentos adequados e realizarmos a colostragem o mais rápido possível.

 

Aprenda muito mais sobre como avaliar a saúde das bezerras leiteiras recém-nascidas neste curso completo sobre o assunto que a Médica Veterinária Inaiá Eloy preparou para o Clube Leiteiro:

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