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Mecanismos de resfriamento de vacas leiteiras




Mecanismos de resfriamento de vacas leiteiras

Texto baseado no curso “Resfriamento de vacas leiteiras”, realizado pelo Médico Veterinário e consultor Leonardo Dantas  para o portal de cursos online Clube Leiteiro em 2021.

 

Investir no conforto térmico do rebanho leiteiro é otimizar a produtividade da fazenda. O desconforto térmico prejudica a produção de leite e causa inúmeros prejuízos. Considerando-se o clima tropical brasileiro de altas temperaturas, adotar mecanismos de resfriamento é fundamental.

Com temperatura ambiente de até aproximadamente 21°C, as vacas têm mecanismos próprios para controlar a temperatura corporal. A partir disso, ela entra em uma faixa de calor e já começa a perder eficiência. Torna-se necessária então, a adoção de mecanismos externos para garantir conforto térmico.

Ventiladores e aspersores

 

A associação de ventiladores + aspersores é um dos mecanismos mais importantes para baixar a temperatura e também a frequência respiratória das vacas leiteiras, que deve ficar abaixo de 60 por minuto. Molhar e ventilar é um mecanismo muito mais eficiente que somente ventilar, por exemplo.

Estudos científicos mostraram que o vento sozinho não baixa a frequência respiratória e consequentemente não baixa a temperatura das vacas, como está demonstrado neste gráfico de experimento:

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KSU Cow Comfort Consortium 2001 (Brouk, M.J., J.F. Smith and J.P. Harner, III)

 

Explicando o gráfico e a eficiência dessa associação

 

Na legenda do gráfico:

0 - Significa que não foi usada a água para molhar as vacas

F - Significa que ventiladores foram usados

Os outros números da legenda (5, 10, 15) indicam o tempo em que as vacas foram molhadas em minutos.

No eixo X (Respiração por minuto), percebe-se que o experimento foi feito com vacas que estavam com respiração aproximada de 100 movimentos por minuto, o que é uma frequência alta, significando estresse térmico.

No eixo Y aparece o tempo de observação do experimento em minutos.

Linha vermelha: Não foi feito nada, nem ventiladores, nem aspersores. Nenhuma mudança ocorreu após os 95 minutos de observação.

Linha amarela: foram utilizados somente ventiladores, com pouca redução dos movimentos respiratórios.

Linha verde escura: foi utilizado um ciclo de água de 15 minutos (1 minuto molhando e 14 não molhando). Houve avanço na redução da frequência, mas ainda insuficiente para tirar a vaca do estresse térmico.

Demais linhas: os dados demonstram que, diminuindo os intervalos de banhos para ciclos de 10 ou 5 minutos e associando o uso de ventiladores, foi-se ganhando eficiência no mecanismo de resfriamento das vacas leiteiras.

Linha preta: mostra um ciclo de água de 5 minutos (1 minuto molhando e 4 não molhando), associado ao uso dos ventiladores. Foi o experimento com maior eficiência na redução mais rápida da frequência respiratória das vacas, e consequentemente, da temperatura.

A velocidade do vento importa!

 

Não é suficiente ter só o vento nesse mecanismo de associação. É preciso saber a velocidade ideal desse vento. O gráfico abaixo demonstra um experimento que comprova que ventiladores com velocidade a partir de 2 mps geram maior eficiência na redução de temperatura, no processo de associação com o banho.

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Resumindo, qual a recomendação para o uso desse mecanismo?

 

Leonardo Dantas, médico veterinário e consultor especialista em bem estar de vacas leiteiras, sinaliza: 

“A recomendação que nós temos hoje para a redução eficiente da temperatura do rebanho leiteiro é: ciclos de 1 minuto molhando para 4 minutos não molhando. Quantidade de água: 1 litro de água por vaca, por ciclo. E ao mesmo tempo, vento a partir de 2mps, sendo que 3mps é ainda melhor”.

 

Quer aprender muito mais sobre o resfriamento das vacas com o especialista Leonardo Dantas? Conheça o curso dele disponível no Clube Leiteiro:

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