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Imunidade das bezerras: o que pode comprometer desde o início




A fase inicial da vida e do aleitamento das bezerras é uma das mais decisivas para o futuro produtivo do rebanho. É nesse período que se define grande parte da saúde, do desenvolvimento e do desempenho dos animais ao longo da vida.

Um dos principais fatores dessa etapa é a imunidade e, ao contrário do que muitos imaginam, ela não começa dentro do útero.

Por que as bezerras nascem sem imunidade?


Diferente de outras espécies, os bovinos não recebem anticorpos da mãe durante a gestação. Isso acontece por conta do tipo de placenta, que impede a passagem de imunoglobulinas para o feto. Ou seja,
as bezerras nascem praticamente sem defesa imunológica.

Por isso, o fornecimento de colostro logo após o nascimento não é apenas importante — é essencial. O colostro é a primeira fonte de proteção para o animal recém-nascido. Ele é rico em imunoglobulinas (especialmente IgG), nutrientes essenciais e fatores de crescimento.

Esses componentes são responsáveis por garantir a chamada imunidade passiva, protegendo a bezerra nas primeiras semanas de vida. Quando esse processo falha, o impacto é direto com maior risco de doenças, aumento da mortalidade e queda no desempenho produtivo.

O que pode comprometer a imunidade das bezerras?


Mesmo quando o colostro é fornecido, alguns fatores podem comprometer sua eficácia. Entre os principais:

1. Qualidade do colostro

Colostros com baixa concentração de imunoglobulinas não oferecem proteção adequada.

2. Tempo de fornecimento

A absorção de anticorpos é mais eficiente nas primeiras horas de vida. Atrasos reduzem drasticamente esse processo.

3. Manejo inadequado

Armazenamento incorreto, contaminação e falhas na oferta comprometem os resultados.

4. Contaminação microbiológica

Esse é um dos pontos mais críticos e muitas vezes negligenciado. O colostro pode conter microrganismos como:

  • Escherichia coli

  • Salmonella spp.

  • Mycoplasma spp.


Essas bactérias não só aumentam o risco de doenças, como também dificultam a absorção das imunoglobulinas.

Por que a qualidade microbiológica do colostro é tão importante?


A presença de microrganismos no colostro afeta diretamente a imunidade das bezerras. Isso acontece porque:

  • as bactérias competem com as imunoglobulinas no intestino

  • reduzem a absorção de anticorpos

  • aumentam o risco de infecção precoce


Ou seja, não basta fornecer colostro — ele precisa estar em condições adequadas.

Pasteurização: solução ou risco?


Para reduzir a carga microbiana, muitas propriedades utilizam a pasteurização térmica do colostro. Esse método é eficaz na eliminação de microrganismos, mas apresenta um desafio importante:
pode comprometer proteínas bioativas, como as imunoglobulinas

Isso significa que, embora reduza bactérias, pode também reduzir a qualidade imunológica do colostro.

Tecnologia no campo: uma nova alternativa para proteger as bezerras


Com o avanço da tecnologia, novas soluções vêm sendo estudadas para equilibrar segurança microbiológica e qualidade nutricional. Uma dessas alternativas é o uso da
radiação UV-C. Essa tecnologia atua diretamente no DNA dos microrganismos, promovendo sua inativação sem necessidade de aquecimento.

Entre os principais benefícios:

  • redução eficiente da carga microbiana

  • preservação das imunoglobulinas

  • processo rápido

  • menor impacto na qualidade do colostro


Estudos mostram que o uso da UV-C pode manter estáveis os níveis de IgG, ao mesmo tempo em que melhora a qualidade microbiológica do colostro.

Resultados práticos: o que o manejo adequado pode gerar?


Avaliações realizadas em propriedades leiteiras analisaram o impacto do controle sanitário e da qualidade do colostro na imunidade inicial das bezerras. Os testes foram conduzidos em condições reais de campo, com análises antes e depois da aplicação de métodos de controle no manejo.

Os resultados demonstraram melhorias importantes em fatores diretamente ligados à saúde e ao desenvolvimento dos animais. Entre os principais pontos observados, destacam-se:

  • Redução da carga microbiana no colostro utilizado na alimentação inicial;

  • Melhora na qualidade sanitária do colostro fornecido às bezerras;

  • Preservação de componentes essenciais, como as imunoglobulinas (IgG);

  • Maior estabilidade dos parâmetros de qualidade após o controle aplicado.


Em análises laboratoriais, as amostras submetidas a controle apresentaram melhor desempenho microbiológico, indicando menor presença de agentes contaminantes e maior segurança no fornecimento.

Na prática, isso reforça que a qualidade do colostro vai além da nutrição — ela é determinante para a construção da imunidade das bezerras. O controle adequado do manejo, aliado à atenção à higiene e à qualidade do colostro, contribui diretamente para reduzir riscos sanitários, melhorar o desenvolvimento dos animais e aumentar a eficiência da produção leiteira.

Conhecimento que transforma o resultado no campo


A imunidade das bezerras começa nas primeiras horas de vida e qualquer falha nesse processo pode comprometer todo o
bem-estar das bezerras. Por isso, compreender os fatores que influenciam a qualidade do colostro e adotar práticas mais eficientes de manejo é essencial para uma produção mais sustentável e produtiva.

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