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title: "Bem-estar na bovinocultura: manejo tradicional e manejo racional"
description: Uma vaca em boas condições de bem estar apresenta resultados positivos. Saiba por que o manejo tradicional está sendo substituído pelo manejo racional.
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[Blog | FUNDAÇÃO ROGE ](https://www.fundacaoroge.org.br/blog)

# [Bem-estar na bovinocultura: manejo tradicional e manejo racional](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/bem-estar-na-bovinocultura-manejo-tradicional-e-manejo-racional)

 Written by [Marcelo Simão da Rosa](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/author/marcelo-simão-da-rosa) | Ter, jun 02, 2020 @ 02:30 PM

Na década de 60, com a publicação do livro *Animal Machines, *de Ruth Harison, acentuou-se toda a discussão sobre o tipo de produto que estávamos ingerindo a partir das condições que os animais eram mantidos nas propriedades. Fato que culminou na publicação das **5 Liberdades dos animais**, pelo *Animal Welfare Conciul*.

Ao mesmo tempo, estudos sobre a Etologia Moderna estavam se desenvolvendo e firmando a senciência, a expressão das emoções dos animais. Com todos os embates que envolveram discussões quanto ao modo de vida dos animais de fazenda, segurança alimentar da humanidade e liberdades dos animais, em 1996, Donald Broom publica um artigo em que conceitua bem-estar animal (BEA) como o estado do animal a se ajustar ao ambiente em que está inserido, podendo variar de muito ruim a muito bom.

Uma vez conceituado, o tema BEA passou a ser impulsionado mundialmente, principalmente na Europa e na América do Norte, expandindo-se, aos poucos às demais regiões geográficas.

 

### Tipos de manejo

 

A produção animal mundial desenvolveu com as ações diárias empregadas, e ainda são em grande parte, de forma empírica, a partir da própria domesticação de cada uma das espécies, transpassando por muitas e muitas gerações. Essas ações caracterizam o manejo tradicional — convencional.

 

### Manejo tradicional

 

- Forma rude na lida com os animais;
- Não observação das necessidades específicas da espécie trabalhada;
- Não atendimento pontual das questões sanitárias; 
- Criação sem a oferta de estímulos adequados para que possam expressar seus comportamentos naturais.
- Falta de atenção ao conforto das vacas nas áreas de descanso, alimentação e ordenha.

 

Como resultado, registram-se alta reatividade dos animais:

- Distância de fuga maior que 1,0 m;
- O uso de ocitocina durante a ordenha; 
- Baixo desenvolvimento ponderal dos animais;
- Primeiro parto tardio;
- Alto índice de mortalidade;
- [Leite](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/3-par%C3%A2metros-de-avalia%C3%A7%C3%A3o-da-qualidade-do-leite) com baixas qualidades microbiológicas e bromatológicas.

 

Todos esses pontos levam à menor qualidade do produto final e da rentabilidade do produtor.

### Manejo racional

 

O manejo, até então empregado, passa a mudar, a se ajustar ao atendimento das necessidades animais. Para que este fosse eficaz, estudos relacionados à Etologia, básica e aplicada, começaram a se destacar, descrevendo a biologia da espécie para que as necessidades nutricionais, sanitárias, de conforto, de interação humano-animal e da expressão do comportamento natural fossem satisfeitas, possibilitando ao animal manter-se em BEA adequado. 

Surge, assim, o manejo racional, constituído pelo conhecimento da biologia da espécie e pelas suas formas de aprendizagem, com destaque ao condicionamento operante com reforço positivo e à habituação.

Na bovinocultura leiteira, propriedades leiteiras, aos poucos, estão aplicando o manejo racional, desenvolvendo diversas práticas saudáveis, que satisfazem às diversas categorias da criação:

 

##### **Bezerros lactentes**:

 

- Bezerreiro que permite, ao longo ou em partes do dia, a interação social;
- Fornecimento de leite em mamadeiras ou baldes com bicos; 
- Escovação do animal, associando à lambida da vaca, que promove maior pico de ocitocina  durante a ingestão de leite e melhor associação positiva humano-animal;
- Controle do volume e da qualidade de [colostro](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/colostro-de-qualidade-para-bezerras) ingerido pela cria até 3 horas pós-nascimento;
- Observação diária, durante o momento do aleitamento, quanto às ocorrências de infestações de carrapatos e bernes, [onfaloflebite](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/como-tratar-a-onfaloflebite-em-bezerros), pneumonia, diarreia e desidratação;
- Quantidade de leite associada à sua idade, quantidade maior nos primeiros 30 dias de vida;
- Adequado momento do desaleitamento e instalações que promovam conforto térmico, atuando na prevenção do estresse térmico em bovinos e expressão do comportamento natural;

 

##### **Bezerras desaleitadas, novilhas vazias e novilhas prenhas:**

 

- Ambientes limpos, com conforto térmico e que permitem a expressão do comportamento natural; 
- Adequação de dietas nutricionais associadas ao valor genético;
- Separação das diferentes faixas etárias;
- Agrupamento social, mínimo de dois, na condução da fêmea para receber a [inseminação artificial](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/inseminacao-artificial-em-vacas-leiteiras-de-tempo-fixo);
- Uso da interação positiva humano-animal nas diversas atividades – inseminação artificial, pesagem, aplicação de [medicamentos](https://www.fundacaoroge.org.br/agroroge)/vacinas/pesticidas, monitoramento das condições  sanitárias do ambiente e de sanidade dos animais, incluindo a limpeza dos bebedouros de água dos bovinos;
- Piquete maternidade de novilhas isolados das vacas pluríparas e práticas de condicionamento operante e habituação aplicadas na sala de ordenha antes do parto – animais mestiços/zebuínos iniciando até 3 meses antes do parto e animais puros, até 3 semanas antes do parto.

 

 

##### **Vacas em lactação**:

 

- Interação positiva humano-vaca leiteira;
- Ambientes limpos, confortáveis termicamente e que permitam a expressão do comportamento  natural;  
- Eliminação do uso de ocitocina na sala de ordenha; 
- Aplicação de vacinas relacionadas à sanidade reprodutiva; 
- Uso dos procedimentos de ordenha conforme o [tipo de aleitamento](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/opcoes-no-aleitamento-de-bezerras) – natural ou artificial; 
- Respeito aos horários de [ordenha](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/como-garantir-qualidade-no-manejo-de-ordenha) para melhor condicionamento da fêmea e formulação de dietas nutricionais balanceadas, distribuídas em cochos que permitem a alimentação adequada, sem a expressão de dominância do animal e com pleno conforto das vacas;

 

##### **Vacas secas:**

 

- Interrupção da ordenha de acordo com o próximo parto; 
- Uso de inibidor de prolactina; 
- Piquete maternidade limpo e com conforto térmico, que atende às necessidades da mãe e da cria, ao nascer, minimizando riscos de estresse térmico em bovinos.

 

 

### Reflexos do uso do manejo racional

 

- Redução da distância de fuga;
- Ganhos de peso diários satisfatórios;
- Redução da taxa de mortalidade em todas as faixas etárias;
- Idade ao primeiro parto de acordo com o planejamento genético;
- Melhores taxas de concepção; 
- Animais não reativos no momento da ordenha;
- Aumento da ocorrência de ruminação durante a ordenha;
- Antecipação do pico de produção das fêmeas primíparas e pluríparas; 
- Redução das incidências de [mastite](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/5-dicas-infal%C3%ADveis-para-prevenir-a-mastite-em-vacas-leiteiras) e de doenças metabólicas pós-parto;
- Maior [produção leiteira](https://www.fundacaoroge.org.br/blog/18-custos-da-produ%C3%A7%C3%A3o-de-leite) e leite com melhores valores microbiológicos e bromatológicos.

 

Bovinos leiteiros que recebem o manejo racional, que não precisam enfrentar o ambiente em que estão inseridos, mantêm-se em homeostase, apresentam bem-estar muito bom e consequentemente seus reflexos são percebidos na rentabilidade da empresa leiteira.

Quer saber como avaliar o bem-estar das vacas leiteiras?

 

 

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