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Projetos culturais: Vamos fazer um financiamento coletivo de projetos?

Written by Flávia de Moura Xavier | Qui, jun 09, 2016 @ 01:30 PM

O financiamento coletivo de projetos, também conhecido como Crowdfunding, ou a nossa velha “vaquinha” ganhou força no mundo inteiro com o surgimento das plataformas interativas e colaborativas online.

Sem visar o lucro financeiro dos contribuintes, o objetivo é impulsionar a produção cultural, o progresso científico, educacional e do entretenimento por meio de projetos que são incentivados pela população que se interessar.

Assim, a “vaquinha online” funciona através de sites especializados em reunir recursos para que pessoas e empresas consigam colocar suas ideias em prática.

Hoje, apesar de o modelo de financiamento coletivo ter se expandido para diversas áreas, os projetos culturais são os mais populares e procurados.

De forma muito democrática, os projetos são expostos e quem se identifica e acredita nas propostas colabora como pode.

Esse novo formato de arrecadação está transformando as formas de realização de projetos sociais e também de projetos pessoais e de empreendedorismo.

Além disso, iniciativas como o marketing cultural têm ganhado destaque nesse cenário. Empresas e marcas têm aproveitado a visibilidade proporcionada pelos projetos para vincular sua imagem a ações transformadoras, promovendo cultura e, ao mesmo tempo, fortalecendo seus vínculos com o público por meio da responsabilidade social.

Outro aspecto importante está nas políticas públicas de incentivo à cultura, como a Lei Rouanet e o ICMS Cultural (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Esses mecanismos permitem que pessoas físicas e jurídicas apliquem parte dos impostos devidos em projetos culturais previamente aprovados. Essa alternativa de financiamento dialoga com o crowdfunding ao abrir caminhos para a diversidade de financiamentos no setor.

Por sua vez, a Lei Rouanet continua sendo um dos principais instrumentos de fomento à cultura no Brasil. Junto com o financiamento coletivo, ela amplia as possibilidades de produção cultural, alcançando públicos diversos e fomentando a transformação social, especialmente em comunidades com menor acesso à arte e à cultura.

Projetos que recebem apoio financeiro direto da população ou via incentivo fiscal costumam trazer impactos reais: fomentam a economia criativa, estimulam o empreendedorismo e contribuem para a educação, além de fortalecerem a identidade e o pertencimento social. É a transformação social acontecendo por meio da arte.

 

Como funciona o financiamento coletivo?

 

1. Um projeto pessoal ou social deve estar bem escrito e detalhado com objetivos claros, planejamento e cronograma das atividades, e necessidade de recursos.


2. O projeto é cadastrado em sites nacionais especializados em crowdfunding como:

    http://www.catarse.me

    http://www.kickante.com.br

    https://www.vakinha.com.br

 

3. O valor total para a realização do projeto é evidenciado no site, assim como o prazo total para a arrecadação e os valores definidos de colaboração. Vale destacar que, sem alcançar 100% do valor dentro do prazo, nada será debitado na conta dos incentivadores e o projeto não acontece.

 

4. O site e os proponentes divulgam o projeto para que as pessoas conheçam e sejam tocadas pela ideia, apoiando financeiramente. Alguns projetos oferecem “trocas” aos doadores como forma de recompensa (ex: cópia de CD, ingressos, camisetas, o nome em uma placa, encontro com os artistas, etc).

 

5. Alcançando 100% dentro do prazo estipulado, os valores são passados ao projeto.

 

6. Projeto com arrecadação total geralmente deve fazer uma prestação de contas depois.

 

Por que esse formato cresce tanto?

 

A ideia é antiga, mas a forma de se fazer mudou com o uso da tecnologia e a globalização dos contatos. A prática pode ser considerada recente (chegou ao Brasil em 2010), porém em grande crescimento, uma vez que apresenta uma excelente alternativa às dificuldades de patrocínio de projetos, à dependência de ações do poder público ou de financiamentos bancários muito burocráticos para a realização de projetos pessoais ou sociais.

A característica apontada como a mais interessante desta forma de financiamento de projetos sociais é o sentimento coletivo de protagonizar a realização de sonhos, seja na vida de uma ou de muitas pessoas. A vontade de ver a coisa acontecer é o que mais conta para quem investiu.

Segundo o advogado Paulo Fernandes, em 2015, o site brasileiro de financiamento coletivo Catarse.me, teve mais de 775 (setecentos e setenta e cinco) projetos inscritos, que foram apoiados por 87 mil pessoas, e fizeram circular R$11.7 milhões  de reais.

De acordo com o Catarse.me, os três fatores que definem a realização de um projeto são: transparência, qualidade e recompensa.

Especialistas apontam que o financiamento coletivo de projetos sociais representa uma grande revolução principalmente na indústria do entretenimento e que a tendência é continuar crescendo.

Conheça você também os projetos propostos, cadastre os seus e apoie aqueles que você goste!

 

Saiba que projetos culturais podem transformar a realidade social, principalmente em pequenos municípios. E que você pode ajudar.